Caminho por Cocal do Sul, passando pela capela de Nossa Senhora de Fátima e Substação da Casan.
🔸O CEU informa que o terreiro está fechado por tempo indeterminado, incluindo os atendimentos com os pretos-velhos.
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A MACUMBA não nasceu para ser confortável
Sobre a diferença entre ser acolhido e querer que tudo aconteça conforme nossas vontades.
A gente procura um terreiro para encontrar respostas, resolver problemas, receber orientações, cuidar da própria vida e, de alguma maneira, encontrar um pouco de tranquilidade diante das dificuldades que enfrentamos.
E não existe problema nenhum nisso.
A Macumba também é lugar de acolhimento, de cuidado, de alegria e de reconstrução. Muita gente encontrou dentro de um terreiro aquilo que não conseguiu encontrar em nenhum outro espaço da sociedade.
Mas existe uma diferença enorme entre encontrar acolhimento e acreditar que a religião precisa concordar com tudo aquilo que queremos.
A Macumba brasileira foi construída em meio a uma história de encontros, conflitos, perseguições e resistências.
Diferentes povos, com seus conhecimentos, suas práticas religiosas e suas maneiras de compreender o mundo, participaram da formação de uma religiosidade que precisou encontrar caminhos para continuar existindo.
Não estamos falando de uma religião que nasceu em condições tranquilas, com reconhecimento institucional e liberdade garantida para realizar seus cultos.
Estamos falando de práticas que, durante muito tempo foram perseguidas, criminalizadas, desqualificadas e tratadas como ameaça a ordem social.
Os terreiros também se tornaram espaços de convivência, preservação de conhecimentos, organização comunitária e reconstrução de vínculos.
É claro que essa história possui inúmeras particularidades. Nem toda casa teve a mesma trajetória, nem toda tradição se organizou da mesma maneira e seria um erro transformar toda a historia da Macumba em uma narrativa exclusivamente de sofrimento.
Nossos antigos também festejaram, cantaram, dançaram, cozinharam, construíram famílias e encontraram alegria em suas praticas religiosas.
E isso também é resistência.
Mas existe algo que precisamos reconhecer: a Macumba não foi construída para servir exclusivamente aos interesses individuais de quem a procura.
Ela se sustenta em relações.
Relações com os mais velhos, com os mais novos, com as entidades, com os ancestrais, com a comunidade e com os conhecimentos que recebemos.
E toda relação exige responsabilidade. Dentro de um terreiro, nem sempre vamos ouvir aquilo que gostaríamos.
Nem sempre nossas vontades serão atendidas, nossas opiniões serão confirmadas ou nossas escolhas serão consideradas corretas.
Às vezes, a orientação que recebemos exige que mudemos alguma coisa na maneira como estamos vivendo.
Outras vezes, precisamos reconhecer nossos erros, rever comportamentos, aprender a conviver com pessoas diferentes e compreender que não somos o centro de tudo.
Isso também faz parte da experiência religiosa.
O problema é que estamos cada vez mais acostumados a consumir espiritualidade como se estivéssemos escolhendo um serviço. Se a entidade não responde aquilo que esperamos, procuramos outra.
Se uma orientação contraria nossas vontades questionamos a capacidade de quem orientou.
Se a convivência comunitária exige algum compromisso, começamos a considerar que aquele espaço já não nos serve.
É como se a religião precisasse se adaptar permanentemente às nossas expectativas, mas nós nunca precisássemos transformar nada em nós mesmos.
E isso merece uma reflexão.
Porque uma coisa é questionar práticas abusivas, reconhecer problemas dentro das instituições religiosas e não aceitar imposições que desrespeitem nossa dignidade.
Outra, completamente diferente, é confundir qualquer responsabilidade com opressão e qualquer contrariedade com falta de acolhimento.
Nem toda orientação difícil é autoritarismo. Da mesma maneira, nem toda cobrança feita em nome da tradição é legítima.
Precisamos ter maturidade para reconhecer essas diferenças.
A hierarquia não pode ser utilizada para justificar violência, assim como a liberdade individual não pode servir de desculpa para abandonar qualquer compromisso coletivo.
E talvez essa seja uma das maiores dificuldades de viver uma religião comunitária.
A gente gosta da festa, do canto, da manifestação, da comida, das folhas, dos pontos e da beleza dos nossos rituais.
Mas nem sempre demonstra o mesmo entusiasmo quando precisa limpar o chão, organizar a cozinha, cuidar de alguém, dividir responsabilidades ou simplesmente estar presente quando não existe nenhuma atividade voltada as nossas necessidades pessoais.
Só que o terreiro também acontece nesses momentos.
A Macumba não se resume ao instante em que uma entidade se manifesta.
Ela está na preparação da comida, na partilha dos alimentos, na transmissão dos conhecimentos, na organização dos espaços e na maneira como aprendemos a cuidar uns dos outros.
Existe fundamento na convivência.
E existe aprendizado naquilo que fazemos quando ninguém está olhando. Talvez por isso seja tão importante discutir que esperamos da nossa religião.
Queremos apenas um lugar onde possamos encontrar respostas para nossos problemas ou estamos dispostos a participar de uma comunidade que também possui suas próprias necessidades?
Queremos aprender com os antigos ou apenas utilizar seus conhecimentos quando nos convém?
Queremos uma espiritualidade que nos ajude a compreender a vida ou uma que justifique todas as nossas escolhas?
São perguntas que nem sempre produzem respostas agradáveis.
Mas precisam ser feitas.E aqui também existe outra questão.
Macumba não precisa ser transformada em um espaço de sofrimento para ser levada a sério.
Não precisamos romantizar dificuldades, aceitar humilhações ou acreditar que quanto mais uma pessoa sofre dentro de um terreiro, maior será seu compromisso espiritual.
Nossos antepassados enfrentaram violências que não deveriam ter enfrentado. Honrar suas histórias não significa reproduzir essas violências dentro das nossas comunidades.
Pelo contrário. Se existe algo que podemos aprender com essas trajetórias é a importância de construir espaços onde a dignidade, o cuidado e a vida coletiva sejam preservados.
Acolher, porém, não significa concordar com tudo. Cuidar também pode significar orientar, estabelecer limites, reconhecer erros e assumir responsabilidades.
Uma religião que nunca nos provoca a pensar sobre nossas próprias atitudes corre o risco de se tornar apenas um lugar onde procuramos confirmação para aquilo que já acreditamos.
E a Macumba pode ser muito mais do que isso. Ela pode nos ensinar sobre pertencimento, reciprocidade, respeito, memória e compromisso com aquilo que existe para além das nossas necessidades individuais.
Não porque todas as pessoas precisem pensar da mesma maneira, mas porque viver em comunidade também significa aprender a reconhecer a existência do outro.
Talvez a gente precise recuperar essa compreensão.
O TERREIRO NÃO EXISTE APENAS QUANDO PRECISAMOS DELE.
A tradição não se sustenta somente quando estamos interessados em receber alguma coisa.
E a espiritualidade não deveria servir apenas para tornar nossas escolhas mais confortáveis.
A MACUMBA NÃO NASCEU PARA SER CONFORTÁVEL.
Mas também não nasceu para ser um lugar de sofrimento.
Ela pode acolher nossas dores e, ao mesmo tempo, nos ensinar que nem tudo na vida precisa girar em torno delas.
Porque viver a Macumba também é compreender que fazemos parte de alguma coisa muito maior do que nós mesmos.
A Macumba é lugar de acolhimento, cuidado, partilha e pertencimento. Mas isso não significa que ela precise atender a todas as nossas vontades.
Viver uma religião comunitária também exige responsabilidade, compromisso e disposição para ouvir aquilo que nem sempre gostaríamos.
O terreiro não existe apenas quando precisamos dele. A tradição também se sustenta naquilo que fazemos pelos outros.
A Macumba não nasceu para ser confortável. Mas também não nasceu para ser um lugar de sofrimento.
Entre acolher e ensinar, existe uma responsabilidade que precisamos aprender a reconhecer.
Em nossa Casa buscamos nos manter fiéis às Leis e Fundamentos da UMBANDA como passada, ensinada e praticada por seus Dirigentes Espirituais. O C.E.U.P.T.C.I. tem por missão o desenvolvimento e estudo das potencialidades humanas de seus praticantes e frequentadores. Com uma visão filosófica voltada à prática da vida e suas relações, o CEUPTCI, promove encontros públicos e privados além de vivências pautadas em uma visão espiritual!
Caminho por Cocal do Sul, passando pela capela de Nossa Senhora de Fátima e Substação da Casan.
Caminho por Cocal do Sul, virando a direita na XIII cruz, em direção ao Rio Perso.
Passando pela Substação de energia e a Igreja Nossa Senhora da Saúde.
Permanecer na SC 445 em direção a Siderópolis
Lembre-se que aqui é um ambiente religioso, por isso pedimos que use roupas que estejam
condizentes com o local. Evite conversas durante a sessão, lembre-se do propósito do
ambiente e mantenha a concentração, reze.
Evite: decotes, transparências, roupas curtas,
shorts (mulher) e bermudas (homens).
Para que você se sinta mais seguro, separamos algumas dúvidas que são muito frequentes nos terreiros de Umbanda. Se você não nos conhece, você pode conferir abaixo como funciona aqui no CEUPTCI.
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